5 de agosto de 2010

Tava vasculhando o antigo Poéticas e encontrei esse texto que escrevi em novembro de 2008! Inevitável sorrir pensando no agora...


Engraçado: Tudo se planeja, menos o amor. Planejamos as férias, as cirurgias, as dietas, os orçamentos… Pois eu também queria planejar os namorados. Seria algo mais ou menos assim: Em Março, encontrar um namorado – Porque antes nem meu próprio braço eu tenho tempo pra beijar. Inteligente, alto, charmoso, gostoso, bom de cama, de garfo e de humor.
Que goste de crianças e que tenha mais de 30. Seguro de si e que entenda a diferença entre frescura, drama e TPM (imprescindível, convenhamos)… Que tenha muitos amigos “de rocha”, que entenda que estar junto não é ser um só e que encare e repense seus preconceitos sempre e sem muitas neuras; Que admire a natureza, que se revele artista no cotidiano, que saiba tocar um instrumento; atencioso, que entenda o português, os seus porquês – e os meus, de quebra – e que saiba diferenciar pós de ervas e que tenha esquizofrenia controlada;
Que goste de sair sozinho, que não seja implicante, que pondere os ciúmes, que controle a posse e que se orgulhe de mim sendo eu quem sou; Que se dê bem com meus amigos sem ser forçado, que saiba a diferença entre intimidade e intromissão e que não tenha vergonha de peidar na minha frente, mantendo as devidas discrições, obviamente; Que goste de filmes – no cinema e em casa – e de teatro – idem -, de circo sem animais e de chuva. E mais um monte de detalhezinhos sórdidos que a gente não conta, só pensa…
Enfim. Queria que fosse possível planejar romances. Isso facilitaria minha vida horrores! Mas não é por aí. E quando tenta ser, invariavelmente dá merda… e haja caquinhos pra catar depois, lá e cá.
Então, enquanto não encontro um jeitinho de, ao menos, ajeitar o regulador de caça, vou regulando o desnivelamento de emoções, evitando taquicardias agudas e flexadas despropositais.
Aí, penso cá com meus botões, deposi que  m- planejado ou não – encontrar mais uma vítima, digo, namorado, depois de três ou quatro meses de paixão intensa, sento eu e escrevo mais um desses desabafos tragicômicos, falando em como seria legal se pudéssemos planejar bonitinho o fim dos relacionamentos. Só não sei se também começaria com um “engraçado”…

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