28 de setembro de 2009

"Deixa, deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida. Preciso demais desabafar..."

Curioso... As vezes ficamos olhando fotografias nos álbuns alheios e vendo milhares de sorrisos aparentemente verdadeiros. Não que um sorriso deva ser julgado. Sorriso em foto pra mim tem quase o mesmo conceito de fotografia: são impressões momentâneas com seus antes e depois transformados em nada ou imaginação. Mas quando esses sorrisos vêem de pessoas que amamos, tendemos a acreditar na imagem revelada, ignorando toda dor que há por trás daqueles dentes à mostra.

E também tendemos a acreditar que os outros são sempre mais felizes que nós.

Essas bobagens todas que deixamos que nos levem, nesses instantes de apreciação da vida alheia...

A dor de cabeça não passa!

"Tudo que eu quero é um acorde perfeito maior, com todo mundo podendo brilhar num cântico"

Não é exatamente uma dor de cabeça. É como se houvesse uma pressão lá dentro, como se fosse uma bomba, prestes a explodir. E isso me dá um medo da zorra... Preciso ir logo num oftalmo e ver se é um problema de vista ou um problema a ser visto.

Hoje é segunda feira e eu queria decretar feriado! O fim de semana foi o melhor dos últimos tempos, sem dúvidas. Sabe quando se está num lugar tão dentro da cidade, mas que de repente vc percebe que esqueceu disso? Foi um mero detalhe estar em Piatã, tão perto de casa!

Na verdade eu estava numa casa de campo, vendo queimar no enorme quintal uma fogueira, rodeada de pessoas interessantes. Que coisas linda. Faz tempo que uma noite de sábado e um dia de domingo são tão magníficos, tão rejuvenescedores...

Tomar um remedinho e aquietar os olhos um pouco. São 10 da manhã. Talvez um cochilo resolva. será?

26 de setembro de 2009

Desfrutando a sorte de um amor tranquilo...

Caminhada na praia de manhá com meu amorzinho, convite pra acampar num lugar delicioso, esse solzinho espreitando a tarde e aquela preguicinha de sábado. ahhh que vidinha mais ou menos viu...

...

Feliz com o aumento significativo de autoconfiança.
Feliz com essa paz de agora.
Feliz de saber que a minha profundidade também me fortalece.

25 de setembro de 2009

"Na lata do poeta tudo-nada cabe. Pois ao poeta cabe fazer, com que na lata venha a caber, o incabível"

"Pra mim, que tenho coração de desenhista é horrível sair na rua sem o meu caderno, sabe mãe? Porque quando eu vejo assim uma coisas sabe? Uma coisa assim, que nem aquele dragão que a gente viu naquele dia naquela loja perto da pizza.. aí me dá um aperto assim no coração sabe? porque eu tenho que desenhar aquilo"

Juan, of course. Hoje de manhã, a caminho do médico.

21 de setembro de 2009

"Eu vejo a vida melhor no futuro. eu vejo isso por cima do muro de hipocrisia, que insiste em nos rodear"

Sabe o que acho incrível nas pessoas que guardam muitos e muitos rancores? A capacidade de perder o discernimento e a compreensão de que elas também são seres passíveis de erros. E sabe outra coisa bem interessante? Essa capacidade que temos de julgar outras pessoas pelos mesmíssemos erros que já cometemos... E daí que é realmente fácil ficar soltando veneno em linhas mal traçadas... Difícil é reconciliar-se com o próprio veneno.

...

Já é quase fim dessa segunda maresia e eu quero muito fazer rápida fuga numa sala de cinema. Hoje dormi no ônibus com direito a sonho! E na hora de descer na Praça da Sé me deu uma vontade imensa de sentar simplesmente até não ter mais aquele sol pra rachar minha cabeça!

E hoje também tem a abertura da exposição de Sofhie Calle, que transformou dor em arte, recolhendo reações de outros artistas acerca da carta de despedida de um ex-namorado. A Exposição fica no MAM até 22 de novembro. Daí que juntando o pedacinho de cima com o de baixo, quero deixar um recadinho àqueles rancorosos de plantão, que no lugar de plantar flores nas calçadas, saem por aí mandando o mundo tomar no cú: Cuide de Você.

Very, very important...

18 de setembro de 2009

“A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer. A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer”.

Arnaldo Antunes. E quem mais?


Eu sempre quis ter barbas, mas outras coisas estão caindo em seu lugar; a diferença já é pouca nessa hora. Hoje eu vi, entre uma cochilada e outra em minha viagem, o azul estupidamente gelado do mar. Como eu queria me jogar ali, como eu queria me jogar inteira nua, todo ele em mim e eu a penetrá-lo num orgasmo só. Que azul, que tons de azul intenso... E a maré cheia...

Campeonato de surf em Patamares, as três pontes de Jaguaribe - que me fazem lembrar da infância, quando ia de mãos dadas a minha mãe passar o dia quebrando ondas no pedaço de mar em frente à barraca Mordomia. Uma delícia. Ainda está lá a barraca.

Tem os coqueiros de Jardim de Alah emoldurados pelo céu. Ali eu gosto azul ou cinza, é sempre lindo. E tem o Rio Vermelho, a Praia da paciência com sua curva, sua faixa de areia em declínio e as ondas semi-brutas. Ainda ali tem a ponta da Pedra da Sereia, as pedras e o mar contrastando suas cores... Aí tem o morro do cristo, aquele mar bravio e incerto... E tem a Barra, tem o Farol. Não ele exato, mas seu mar dos lados. Aquela faixinha de praia deserta antes do porto... E o Porto. Que é cenário composto de pessoas mesmo e deixa uma saudade quando o ônibus vira pra subir a ladeira. Mas aí vem o mar da Contorno apaziguar tudo, deixar vontade de descer, de ali ficar.

Depois é só susto. Avenida Sete, amontoado de gente pra lá e pra cá na Piedade e na Sé... E daí que fica em mim essa vontade de mar durante o dia, me alimentando daquele azul da manhã. Mas daqui de cima, do alto da janela que espreita o mar da baía, posso sentir o sol se pôr tão lindo quanto: quando o dia se despede, o sol projeta os seus vermelhos até que se finde a sua luz, deixando aberta a possibilidade de que o preto do céu nos envelheça.

Salve Salvador.

16 de setembro de 2009

“Dona do sim e do não diante da visão da infinita beleza”

Sabe aquela história de assobiar e chupar cana? Sou eu. Sem premeditar faço inúmeras coisas as mesmo tempo e sim, isso tem mais de três lados: as vezes faço tudo com êxito, mas na maioria das vezes, me atrapalho, deixo alguma coisa sem terminar.. é um inferno. E não agüento passar um minuto parada. E isso, meus caros, não é muito satisfatório. Combinar pequenas coisas já é natural. Escrever e ouvir música por exemplo. Dá. Mas se a música for instrumental ou numa língua desconhecida, melhor. Se não, entra a terceira tarefa: cantar. Aí embanana tudo. E ainda tem um outro traço falciforme meu: eu não consigo acompanhar meus pensamentos. Geralmente escrevo tudo o que penso em termos de idéias novas. Anoto num papelzinho, faço lembretes... porque se não o bagulho se perde e aí, é capaz deu lembrar no alto de uma roda gigante, num domingo no parque, por exemplo. Agora mesmo estou ca a redigir textos trabalhísticos e ouvindo velhas e boas de Caetano como Cajá. Beleza. Daí paro o que estou fazendo porque pensei num final bacana praquele conto. Aí no meio do conto lembro que tenho que acrescentar tal item nas tarefas do dia e antes de finalizar o item corro pra dar uma olhadinha na agenda da semana. O que tem marcado mesmo pra meio dia de amanhã?

Arf.

Cansa. É uma estabanação só. Mesmo que no final eu tenha realizado tudo aquilo a que me propus, é um gasto de energia filadaputa. E o pior é que no fundo do fundilho, eu gosto de ser assim! Valha-me deus, nossa senhora...

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Ontem na viagem de volta pra casa – minhas duas horas de buzú pela orla de Salvador -, deu um estalo de pensar em meu nome, que eu adoro de paixão... Esse Isa tão diferente do Lorena, esse complemento, esse som fluido que dele emana. E dentre os devaneios, concluí que Lorena é o meu lado frágil, em oposição ao Isa; Mas compreendam que não se trata de questões etmológicas, mesmo sendo Isa = fogo e Lorena = calma; é uma questão contextual mesmo, aliterações infantis e outras incongruências. Mas independente do peso das partes, esse todo – Isa Lorena – é algo forte, uníssono. E eu gosto muito, muito de ser esse signo.

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Quase primavera nesse setembro de sol com chuva. Juan caminhando para completar seus oito anos e nove meses de vida, com suas múltiplas inteligências bem desenvolvidas, com a saúde própria daqueles que se fartaram de leite de peito, apenas atormentado pela renite cada ano mais fraquinha... boa dicção, boa postura e bons modos, mantendo acesa, no entanto, as faíscas próprias da infância. Uma delícia. Meu filho. Minha cria. Meu pedaço. Meu dele. Meu do mundo. Compreensão difícil sim. Alguma dor, algumas lágrimas. Maternidade aflorada. Aceitação.

2010 já chegou na minha agenda. Nos planos ele já havia. E quando faltam três meses pra fechar o ciclo ocidental doismilenovístico, tudo parece correr. Mas é preciso caminhar sem pressa, às vezes. E quando nossas pernas são ligeiras de fábrica, vale uns ajustes, umas parafusadas até... Mas sem paralisias. Jamé.

15 de setembro de 2009

“Deixa eu decidir se é cedo ou tarde... Espera eu considerar”

Eu tentei. Tentei ser menos densa, escrever mais objetivamente e não falar de mim, principalmente. Mas eis que surge o impulso e de lá pra cá – um lá não absoluto, por favor não insista pra que eu cuspa datas -, simplesmente compreendi que não há como exaurir de mim a minha essência maior, de ser dramático. Pois é.

Por essas, por outras e por nenhuma coisa é que declaro o retorno do poéticas em sua essência. Sou eu de volta, Isa Lorena, vomitando prosa poética pra todos os lados, como quem com febre espreita a morte, como quem deseja alinhar-se ao mundo antes do último suspiro. É o que fica de mim. É o que sou, na construção de ser.

Estamos cá em setembro, quase outro ano já. Resolvi mudar o poéticas de endereço como quem corta o cabelo na esperança de com ele renascer. Queria um blog de curtas, quase mudo o nome dele, inclusive. Mas depois desses dias que passaram, eu olhava para cá e só gostava da estética estrutural, com esse vermelho brutal a introduzir o assunto. E então eu percebi que não adianta inverter o curso do rio com uma tora de madeira, porque inevitavelmente suas águas ultrapassarão o obstáculo, escondendo-o em seu leito como se vareta fosse.

Deixa eu me dizer. E como canta a Mariana Aydar tão gostosamente, “Deixa o verão pra mais tarde”. Já sou concisa demais no dia-a-dia trabalhístico, já tenho cá um blog só de contos picantes, outro só de indicações de outros blogs, uma tentativa de pequenos ensaios sobre cultura e um de ficção. Então eu conversei comigo e decidimos juntas, a Isa e a Lorena, que faríamos deste um blog descompromissado, um acolhedor de textos em seus estados primitivos, o cuspe, o catarro da palavra rasgada sem medo, o lugar do espasmo, da falta de regra, do desfecho inesperado, das frases inacabadas; essa poética cotidiana, enfim, que nos toma de gole mesmo.

6 de setembro de 2009

Pausa

De repente tudo fica escuro e... chegam as lágrimas.
De repente nada mais faz sentido.

2 de setembro de 2009

Chame sua vó pra ler, rápido!

Gente! O Banco Real abriu mais uma edição do concurso Talentos da Maturidade, para maiores de 60. Música, literatura, artes plásticas e programas exemplares são as categorias. Para não-profissionais, é bom resaltar. Chama o vô e a vó ou se inscreva, até dia 14 de setembro. Vale a pena. Meu vô participa já há três anos e apesar de nunca ter gabho, vale a felicidade de ver suas músicas gravadas. A alegria dele nos mostrando o cd já é um prêmio...

Mamãe, eu quero.

Vasculhando a Saraiva no Sábado, sem grana na bolsa e no banco, encontrei um livrinho mal cortado me chamando, filho único na prateleira: Maio de 1968, Explicado a Nicolas Sarkozy. Ô gente... Por que sou pobre? Li 29 de suas mais de... quantas páginas mesmo que não lembro? Ah, não importa, me apaixonei. Trata do diálogo entre um pai filósofo, estudante atuante naquele maio e do filho, jornalista, de olhar mais radical. Deixei escondido... Tenho de voltar correndo pra buscar. Aceito doações, claro.

Ich assisti

Fui pra assistir Os Normais, mas terminei na platéia quase vazia de A Proposta, lá no embargado Aeroclube, que agora só serve pra ver filme, comprar sapato em promoção e correr o risco de ser assaltado. Eu adoro a Sandra Bullock e apesar de comédia romântica não ser o meu forte, gostei do filme, mesmo com todos os famigerados clichês. Apimentado mesmo foi o Bruno que assistir na semana passada. Ich adorei.

Uma casa voando com balões: minha cara isso...

Doida pra assistir ao novo da Pixar: Up, Altas Aventuras, que recebeu uma crítica boa, de responsa, da jornalista Mariana Shirai, da Revista Época. Em contrapartida, a crítica da Veja deixou a desejar. A primeira é mais completa, apesar de as duas reforçarem as metáforas visuais do filme, que ficam bem evidentes nas formas arredondadas do menino Russell e nas quadradas, do velho Carl. Que venha o sábado!

Um mundo encantado no Pelô

Dia 16 de setembro o Pelourinho vai receber o espetáculo teatral O Mundo encantado da Leitura, que abre a programação do Edital To no Pelô, sob a regência do Pelourinho Cultural (IPAC/ Secult). A peça aborda os benefícios da leitura e depois do espetáculo vai rolar sorteios de livros. Já marquei na minha agenda. Marque na sua também. Vai ser no Largo Pedro Archanjo.

Libere sua criatividade e se inscreva

Se vc tem um projeto bacana sobre cultura africana, abra e leia o edital da Fundação Cultural Palmares, que segue com inscrições abertas até o dia 14 de setembro. Eles vão selecionar 15 projetos que tenham como público alvo crianças e jovens em idade escolar. Podem ser inscritos projetos individuais ou de entidades privadas. Vale tentar.