30 de julho de 2010

Daquela vez, como se fosse a última.

O chão sumiu sob os seus pés. E a sensação de incompetência era tão latente que doía na alma, escorendo pelos olhos. Era uma sensação de medo absoluto, de impotência, de falta de saida, de fim. 

Uma vontade de morrer naquele instante, como se nada valesse, como se a vida fosse um nada resoluto, uma mentira bem contada, entrecortada de momentos confusos e disformes, contraditórios e imbecis. 

Vontade de voar na solidão. Vontade de não ser, simplesmente, de nunca ter sido, de não ser mais. Chorava sem querer, sem um porquê definido. Eram tantos os tormentos agora, um emaranhado de nós irresolvíveis.

Andava sem olhar pra onde. O som dos carros apressados não soavam em seus ouvidos. Atravessou a rua, passos fortes. O olhar vacilou num grito, antes da queda. A morte surgiu vermelha, ao meio dia.

29 de julho de 2010

A Linha e o Linho

Ele diz que sou seu sol e sempre escolhe as melhores músicas para nós dois. E eu fico pensando se as coisas não se encaixam nessa vida mesmo de um jeito que a gente nunca vai conseguir entender...


É a sua vida que eu quero bordar na minha
Como se eu fosse o pano e você fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando ponto a ponto nosso dia-a-dia
E fosse aparecendo aos poucos nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, nosso amor
O zig-zag do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa, da paixão
A sua vida o meu caminho, nosso amor
Você a linha e eu o linho, nosso amor
Nossa colcha de cama, nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado
A casa, a estrada, a correnteza
O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza.

> Letra de A Linha e o Linho, de Gilberto Gil. Aquele preto que todo mundo gosta, não só o Caetano.

28 de julho de 2010

Outros ares

Eu tô em pleno processo de mudança e ontem, sem uma gota de álccol em casa, encaixotei os livros, as revistas e tirei os quadros do lugar. 

Gosto de mudanças. Elas são sempre bem vindas. Inda mais quando se vai mudar para uma casa onde a cozinha é do tamanho da sua sala atual. É nisso que fico pensando quando lembro de todos os processos burocráticos e financeiros que estou tendo de enfrentar... 

Juan também adora a casa nova e nossa alma grita a certeza de que seremos muito felizes lá também. A nossa casinha ficou extremamente úmida com as chuvas de mais de um mês que cai na cidade - quase na Bahia inteira, na verdade - e não tem mais como a gente ficar... 

O que mais gosto nas mudanças é a possibilidade de promover o caos para depois organizar a vida. Arrumando as coisas para levar de um lugar a outro a gente redescobre uma infinidade de detalhes perdidos na arrumação do dia-a-dia. Essas descobertas são, sem dúvida, a parte mais gostosa de tudo! 

Eu tô num misto de felicidade e angústia sabe? E os medos sempre tem o mesmo sobrenome: dinheiro. 
Aquele que a gente insiste em dizer que não compra felicidade e que no fundo a gente sabe que não compra mesmo, mas que nos deixa mais tranquilos para encontrar a paz. E não me venham com delongas. 

Hoje à noite tem mais coisas pra arrumar, encaixotar, encontrar, redescobrir.. 
Sozinha e com uma latinha de cerveja, que seja! 

27 de julho de 2010

Amigo é aquele que quando vc diz: fudeu, vou desistir de tudo, ele diz: tem quanto tempo que vc tá sem vinho Isa?

Bastaria um cochilo...

Depois do almoço dá um sono que valha-me deus nossa senhora.
Toda empresa que se preze devia ter uma varandinha com redinhas e som ambiente pra gente descansar né não?

É que cada vez mais "eu não gosto de bom senso, não gosto dos bons modos, não gosto".

Tudo caminhando para mais uma grande mudança em minha vida. E eu aqui numa preguiiiça...

Bacana mesmo é o equilíbrio

26 de julho de 2010

O tempo voa...

Descobri que tenho três meses enamorada. Como diz o ômi: "meses de amor!".

sim, sim, ele está certo..

Um olhar, uma luz.




Eu joguei na sexta aqui a foto de Juan para falar sobre a intimidade dele com os enquadramentos e a captação de luzes. Venho agora completar. 

Faz tempo já que o pimpolho me causa susrpresas agradáveis em relação a isso. Em verdade, alma artística de juan floresce e dá frutos cada dia melhores. Bom na dialética, nas perspectivas dos desenhos, no fazer das esculturas de massinha e de argila e bom no captar imagens. isso muito me felicita e me orgulha e se faz motivos de infindáveis papos com os amigos, sobretudo os mais próximos e que acompanham o processo e não ficam nessa de que isso é só papo de mãe babona etc etc.. 

O que percebo, enquanto mãe, é que todas as crianças têm, cada qual à sua maneira, a possibilidade inata de florescer o artístico. é coisa nossa, gente, basta ser trabalhado direitinho. Juan não é nem um geniozinho. É apenas uma criança fomentada à criação. À ele são apresentadas desde sempre as mais variadas ferramentas para que ele escolha as que mais lhe interessam.

Te quem ainda acredite que eu forço alguma coisa e coisa e tal. Antes eu ainda tentava explicar, hoje já me cansa. Eu cobro dele que em tudo o que faça haja determinação e vontade. Paixão sabe? Porque tudo é mais gostoso com paixão, com tesão... Então o lema lá em casa é: se dispôs a arrumar as cadeiras, então vamos empilha-las da melhor forma possível, com jeitinho e buscando obter o melhor resultado. porque tudo é trabalho. Basta voltar o olhar por esse prisma. 

Aí em cima, mais uma fotografia de Juan. Essa ele tirou durante o São joão, aqui em Alagoinhas. Achei fantástica a sensibilidade no captar. Fantástico o olhar. Muito bom mesmo. Estou agora ajeitando uma maquina antiga, de filme ainda, pra deixar com ele, para carregarmos onde formos. Porque é preciso incentivar tudo, desde a melhor maneira de fazer bolinhas de meleca até a lapidação final de uma obra de arte. Não que tirar meleca nao seja uma arte, convenhamos. Mas vcs entenderam o que eu quis dizer. 

23 de julho de 2010

22 de julho de 2010

Eu penso renovar o homem usando borboletas.

Eu passo o dia tooooooooodo escrevendo uma monte de coisa chata. Então quando eu chego em casa eu quero me divertir. Problema é que quero me divertir e assistir a novela nova, ver o jornal, ler um capítulo do livro, fazer o almoço do dia seguinte, ajudar Juan com as tarefas de casa e mais pequenas quinhentas coisas que possam surgir. Então como pelamordedeus a pessoa pode dormir cedo? Como a pessoa pode acordar linda e loira no dia seguinte, com um humor de lustrar móveis e um sorriso indecifrável de manequim?

Impossible.

Quando é meu jesuisinho cristo, que a sorte vai abrir um largo sorriso pra mim e vai me apresentar uma possibilidade de comprar o pão do dia com um din din que não seja proveniente de uma assessoria. Anos nessa. cansadona mesmo, na moral. Eu nasci pra correr atrás de notícia minha gente, percorrer cidades, conhecer pessoas, traçar perfis, viajar, escrever novos projetos, tomar banho de mar de noite.. essas coisas... E definitivamente, não nasci pra viver longe dos meus amigos. Ah, não nasci mesmo. Eu sou uma pessoa que pensa em conjunto, como já me disseram com mel e com fel.

Essa semana escrevi a frase que faltava no muro la de casa, palavras do Manoel de Barros, sábias palavras que me traduzem inteira. Deguste comigo:

A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como
sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um
sujeito que abre
portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem
usando borboletas.
A gente reclamando das coisas e o país precisando de mais de 10 mil padeirosm heim?

Pois é.

21 de julho de 2010

 "Mantenha seus pensamentos positivos, porque seus pensamentos tornam-se suas  palavras. Mantenha suas palavras positivas, porque suas palavras tornam-se suas   atitudes. Mantenha suas atitudes positivas, porque suas atitudes tornam-se seus hábitos. Mantenha seus hábitos positivos, porque seus hábitos tornam-se seus valores. Mantenha seus valores positivos, porque seus valores... Tornam-se seu destino."

Mahatma Gandhi

Como mutante

 
 
 
Engraçado como quando estamos enamorados de alguém tendemos a criar os mais diversos devaneios acerca desta pessoa. A vontade de estar junto, de compartilhar, dividir, é bastante interessante. Fazia tempo que não sentia essas coisas, essas vontades todas. Estar imerso neste estado de patetice romântica me fascina!

Porque eu sou uma romântica inveterada, afinal, mesmo que neguem às más línguas, mesmo que me tomem apenas pela minha racionalidade natural. A verdade é que deixar-se amar é um troço bom. Aproveitar o agora, brincar de fazer planos, deixar que o outro flutue ao seu lado e se permitir flutuar também.

Eu tenho cá pra mim a teoria comprovada de que a distância e a saudade são essenciais para o perdurar desse processo. Porque incita a vontade de querer mais um pouquinho, o gostinho do quero mais. Todo dia, toda hora é cansativo. A rotina sempre foi o meu brochante. Para tudo, ressalve-se. Em casa, no trabalho, no amor e na guerra. É preciso renovar-se. O imutável é pra mim, inoperante. Eu gosto mesmo é de ser essa metamorfose ambulante. Toca Raul!

20 de julho de 2010

Odoiá.


Muitas vezes realizamos desejos e não nos damos conta. Muitas vezes isso nos acontece sem que percebamos que estamos ali, diante de algo que tanto pedimos e que nos chegou sorrateiro e agora, esquecemos de simplesmente agradecer sua chegada. Já percebeu isso? Queremos tanto tantas coisas e pedimos muito mais do que agradecemos.

Hoje eu quero o exercício de agradecer. Se estivesse em salvador, levaria uma rosa para Iemanjá. Como estou aqui, tão distante do mar, vou regar o meu altar com as flores mais bonitas que encontrar no caminho.

Isso vale para desejos e pessoas. Vale para tudo nessa vida que nos chega de mansinho...

Menino bonito, menino bonito, ai...

16 de julho de 2010

O ovo e a galinha

Tenho pensado tanto no tempo, no passar dele, ininterrupto, nos cobrando certezas, decisões, ousadias. Pensado bastante em mim no alto dos meus 28 anos, em todas as coisas que quero empreender antes dos trinta, tanto que quero aprender... “bobeira é não viver a realidade”. Eu sei. Mas também sei a necessidade das fugas... nada que nos comprometa o dia, a vida, as horas produtivas... 

Esse mês a Superinteressante veio com matéria de capa falando sobre o sucesso e o fracasso e lá está a tal fórmula, a chave do babado: determinação. Vejo ao meu redor pessoas determinadas que alcançam o que desejam e acompanho, triste, a saga dos que pouco lutam, de outros que sequer lutam e de outros, que acreditam que tem idade pra parar de lutar. 

Hoje, no final do dia, chegará ao mundo Beatriz, minha irmã. Meu pai está deveras ansioso e eu quero tomar uma cachaça em sua homenagem mais tarde, já que estou longe e não vou vê-la chegar. Não estar em salvador hoje, por exemplo, foi uma decisão das mais difíceis e ainda me corrói uma certa dúvida, uma vontade de dominar o tempo e refazer sentidos, mas com os pés no chão eu reconheço as impossibilidades do agora e me aquieto. O fato é que são doze e meia ainda e tem é coisa ainda pra acontecer... 

O tempo, senhor tão distinto, anda preenchendo meus pensamentos numa constância absurda. E para completar o dia, a melhor notícias dos últimos tempos da última semana: A galinha, caros amigos, nasceu antes do ovo. Pois é. Fato comprovado cientificamente por cientistas ingleses, que entediados certamente, estudaram a casca do ovo meticulosamente até descobrir que ali existe uma substância que só é encontrada no ovário das galinhas. Pois é, pois é... E eu aqui, pensando no tempo. 

Meus olhos de chover tempestades
Estão vazios, secos, céticos.

Deve ser a sexta-feira e a vontade louca de tomar uns goros... rs

15 de julho de 2010

Quase morrendo de tédio...

14 de julho de 2010

Trouxe lá do outro blog que pensei em começar...

Eu sei que eu preciso escrever mais. Sinto que preciso. Precisar de precisão mesmo. E eu vejo também que por mais que me cobre isso, há tantas questões implícitas nesse não escrever quanto se possa imaginar. em primeiríssimo lugar estou farta de escrever em blogs mal elaborados como esse. Disputando este mesmo primeiro lugar há o fato de que a noite é minha parceira incondicional e eu ainda não consegui ter um computador decente em casa. Meu lap top, Zezinho, continua servindo muito mais de rádio, com metade da tela corrompida e sem acesso á internet. Ser mãe solteira e jornalista continua afetando no meu orçamento a tal ponto que só as necessidades básicas são supridas e o lápis e o papel além de mais poético, é mais barato.

eu sinto saudade de escrever textos longos para leitores fiés do cotidiano sim. Sinto falta de ter um blog bacana como o poéticas das antigas, onde a proposta da não proposta era a definição mais justa dos últimos tempos. Mas enfim. Continuo escrevendo pra mim mesma, fazendo minha análise extremamente necessária, mas bem menos do que deveria e gostaria. Isso aqui é muito mais um beliscão por deaixo da mesa do que um post, percebam isso. o fato é que meu narciso gostaria sim de divulgar os últimos fatos de minha vida daquele jeitinho metafórica que neguinho adora, fatos bem relevantes e significativos etc e tal, mas o desalinhar impera.

Quando eu me cobro assim o respeito contínuo às palavras, eu tento me lembrar também que preciso pegar leve comigo, pois é preciso considerar que uma pessoa que acorda cedo pra fazer o rango do dia, dar carinho e café ao filhote, sair pra trabalhar, encarar uma prefeitura e 19 secretarias, escrever quatro, seis matérias por dia e ainda editar os erros mais esdruxulos, não tem muitas condições psicológicas para escrever textos apaixonantes pelo simples amor às palavras com certa facilidade. Minha vida anda constantemente às tontas, como bem disse uma vez o Leminski, como se as coisas fossem todas afinal de contas.

Enfim: No frigir dos ovos, o que sinto falta é da interação com o público. O leitor é, antes de tudo, o objetivo do escritor. E eu tô cheia de histórias pra contar, um monte de mentiras pra disseminar, literatura pulsante que sou, sem conseguir brechas para transbordar. E eu quero muitoooooOO!!!!!!!!!!

Por isso ando tão intrispectiva... Também. Essa é, no entanto uma das razões mais caudalosas...
Todos os dias o seu boa noite. Respeitando minhas horas tardias, minhas madrugadas insones e meus baseados, ele liga sempre pertinho da meia noite e depois de falarmos sobre o mundo, sobre nós, sobre tudo que alí cabe, me pede que sonhe com ele.  
 
Eu acordo pensando em seu beijo. e reforço seu cheiro na camisa que esqueceu na cadeira. Faço a comida do dia, tomo meu chá, escovo os dentes e sinto sua presença. Mais de 100 km separam nossos corpos, coisa pouca na verdade pra quem se desencontrou a vida inteira. 
Que saudade que toma agora. Que troço intenso da zorra, esse gostar...

13 de julho de 2010

Menina de cachos

Há em mim uma sujeira irretocável. Um transparente macio que sai dos meus olhos. Uma maldição colorida transbordando das mãos. Há vento em meus pés, como os de um personagem querido da infância.

Há uma inquietude, uma vontade de preencher todo vazio, uma saudade de momentos inesquecíveis que ainda não vivi.

Há em mim uma paixão pulsando, sonhos que cintilam madrugadas insones. Há em mim um gosto por ervas, por tintas, por palavras e sexo.

Há em mim muitas mulheres que conversam entre si, discordantes. Há uma razão maldita, um heroísmo inútil, um querer exacerbado de abraçar o mundo, de caminhar sobre os mapas, de escalar motanhas.

Há em mim um fogo e uma calma, uma Isa e uma Lorena, uma vontade louca de ser mais, de continuar sendo...

9 de julho de 2010

O babado é o seguinte: estou enamorada de um cara lindo, boêmio que nem eu, cheiroso e com a boca mais gostosa desse mundo de meu deus. resumindo: estou apaixonada. E para completar o babado a nossa sintonia é boa e phina, dessas que a gente demora anos ajeitando a antena pra conseguir.

Eu sou a sua flor, seu bebê. E ele massageia meu ego de um jeitinho esperto de homem com 40 anos de praia. O demodê da história é que ele quer casar e contrato eu já tenho o do trabalho e do aluguel. Não acho cafona, feio, nada disso: só não acredito que para amar alguém é preciso legislar isso. Botar no papel. Lealdade não se mede dessa forma...

Mas o que importa agora é esse quê paixonístico que nos acometeu. Bom é viver o amor a cada dia, sem pressa...
O Poética está pulsando pra voltar. Ainda indeciso, pensando na roupa nova que vai vestir para vir ao baile... Mas a vontade de dividir está aqui, latente ainda. Quem sabe?