12 de dezembro de 2011

Balada do amor inabalável...

As palavras vêm à boca, mas escorregam pelos cantos e esvaem obscenas, com medo de gritar o que desejam. E só oscilam e me enfraquecem, à medida que se escondem, que provocam calafrios intempestivos, involuntários... As palavras são meu rito, meu olho aceso, minha paixão, minha loucura, minha Iansã ensandecida, que não aceita a covardia de esconder-se, submersa, oculta, fria. O calor, minha fissura, aquela boca, olhos, corpo, a sua fala, o gesto, o louco, tudo nele me provoca. Meu menino, meu Xangô, alma minha, meu pedaço. O que faço? Tão perdida... Se me afasto, me procura, se me mostro, se afasta; um duo contínuo, o sangue pulsa e a tristeza me persegue. Ser tão sua, logo eu, tão incerta, independente e altiva: perto de você eu perco o sono, longe de você, perde graça a minha vida...

“É força antiga do espírito
Virando convivência
De amizade apaixonada
Sonho, sexo, paixão
Vontade gêmea de ficar
E não pensar em nada...”

23 de setembro de 2011

Um último post.

A cabeça lateja pensando nela, a minha menina de cabelos brancos que aos poucos vai embora de si mesma, deixando esvair na solidão do esquecimento tanta dor, incalculável... em cima de uma cama, semi-inválida, com os ossos tão frágeis, quebradiços, sem vigor...

...estamos todos impotentes...


Como parecer mais forte quando tudo parece estar desmoronando e a vontade de gritar por ajuda é mais forte do que a própria vontade de se ajudar? Sentir-se perdido no meio do caos não é uma coisa que sempre aconteça. Logo eu, que gosto tanto do caos, necessário, que agora se funde m todas as dores e só resta vazios, conflitos, não vejo saídas...

Quando foi mesmo que ficou tão escuro aqui dentro? Quando foi que me perdi exatamente, que esqueci de mim, que não soube mais agir, me dar limites? Quando foi que deixei de acreditar que era possível, quando foi que assassinei minha vontade de viver além da sobrevivência, além da obrigação de estar viva, de alimentar a quem preciso, de preparar minha vida sem mim...

Me fiz impotente para mim mesma. Que triste constatação de antes, de agora. E quanta burrice me acumula esse não agir, essa descrença. Não sou mais quem era, também não sou quem gostaria. Sinto pena de mim mesma e quão triste é tudo isso, essa auto-piedade, essa fraqueza... que canalha que eu sou... que raiva, que medo, que ânsia de ser, de não ser, deixar de ser, de renascer... de voltar a sentir, ter vontades...

Sinto tudo apodrecido bem dentro de mim... me sinto impotente diante da dor dela, da minha dor, da nossa, dessa distância, dos recursos escassos, tantas coisas pulsando pedindo solução, tanta solidão... e só machuca... e eu não cuido... e apodrece...

O que eu fiz com as minhas armas? Porque me deixei pelo caminho? O que é isso que sobrou de mim?

Só farelos... Só essas lágrimas... Só a certeza martelante das irreversibilidades...

22 de agosto de 2011

O personare diz: Que tal eliminar o que não presta mais?

Ok. Vou ali me jogar toda no lixo.

...

18 de agosto de 2011

Antes do previsto...

"No ano que vem eu faço 70 anos, não vou ficar reivindicando juventude. O tempo passa a ser uma coisa valiosa em si para si"

Gilberto Gil
Ler essa frase de Gil nessa manhã tão cinza em que os dias se acumulam junto às contas a pagar, à poeira da casa, os papéis não lidos, os telefonemas que não dei, as declarações que não fiz... me faz rever – aos poucos – uma martelada que insiste em machucar minha cabeça, com cacetadas inda mais fortes durante os últimos dias: eu envelheci antes. Antes do previsto. Antes que quisesse. Antes que pudesse me armar.

Não falo da maternidade aos 19. Talvez antes. Em contexto. Sim, talvez. O fato é que envelheci  rapido demais e aos 29, não consigo me encaixar nem na juventude que me guarda cronologicamente, nem na velhice do sedentarismo. Sou alguém fora do meu tempo, agora. Mas quando antes estive nele, devidamente encaixada, efetivamente?

“.. não vou ficar reivindicando juventude...”, Gil diz. Também não quero. Olho com distância os adolescentes do meu tempo, os de 15, os de 20 e alguns de 30, os piores da espécie, a meu ver. Sinto-me contemporânea em muitos sentidos, assisto o jornal da meia noite e me encaixo na geração Y, pela instataneidade das informações que me perpassam e que tento agarrar de uma forma ou outra; mas ainda assim me sinto antiga.

E piora um pouco as coisas quando observo a minha música, minha literatura e devaneios, todos muito antigos, muito utópicos... e a minha nostalgia, muito própria, não me deixa nem fingir que estou errada...

O tempo é coisa valiosa... e pode ser desastroso não saber aproveita-lo. E sabe, sinceramente? A sabedoria de Gil me estapeia... e a mim, com cara inchada, só resta mesmo o refletir.. pra desobstruir, pra me tirar da confusão...

15 de agosto de 2011

Eis a questão.

Quando vc não sabe mais ser só amiga, mas também não quer ser namorada, vc quer ser o que afinal? 


Vc mesma. Mas com algumas doses de tequila e sexo, pra apimentar os dias... ficaria beeeem melhor.. rs