22 de janeiro de 2010

Deshablar

Ainda que eu sangre em numerosas linhas
não me sinto satisfeita ou pronta
Antes tonta, antes avessa
Numa travessura própria
Tão minha quanto os meus peitos fartos
os calos dos meus pés
minha reza insana

Ainda que eu me derrame inteira
me sinto ainda presa
um nó na garganta que não se desfaz com o riso
um nó que se sustenta e no pranto
se multiplica feliz e enérgicamente

Já sou despudor desde outrora
já me perdi tantas vezes em minhas salas vazias;
Não me preencho.
É inevitável
uma sina talvez, a solidão...

Ainda que eu sangre inteira,
ainda que me derrame em versos
sigo cega em prosa escura
silenciosa e densa,
nua.

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