19 de janeiro de 2010

Desejo, necessidade e vontade


Lidar de cabeça erguida e peito aberto com nossas responsabilidades não é uma coisa fácil. É uma luta, não significando, claro, que seja sempre uma luta árdua e sendo, portanto, como todas as lutas, prazerosas nos finais vitoriosos. Disciplina é liberdade, como bem cantava o Renato.

Durante meus dias tenho várias provas desse lema e é engraçado quando alguém me pergunta se eu gosto de trabalhar e eu digo sim. Trabalho, pra mim, é tudo que me proponho a fazer, seja escrever, seja lavar pratos, seja empilhar cadeiras. Trabalhar é empreender, questionar forças, manter-se aceso e, consequentemente, livre.

Sempre apreciei trabalhadores em geral e gosto de pessoas proativas. Gente medíocre pra mim vale pouco, quase nada. Conheço membros atrasados de uma filosofia pouco pensada antes de proferida, que pregam o ócio como forma de luta. O que me faz rir, nesses casos, é no quando a necessidade bate em suas portas e nem feijão, nem sapato e nem farinha estão lá. E no riso acrescento uma pitada de pena - esse sentimento péssimo, eu sei - quando há filhos na parada.

Nunca entendi muito bem como esse povo pensa: onde está a revolução quando meninos e meninas se reunem para levantar bandeiras socialistas e depois voltam pra casinha da mamãe e do papai comer, dormir e cagar de graça? Dá vontade de apresentar um carnê de IPTU pra essa gente.

Não é simples ser consciente. Não é simples entender o nosso papel nesse mundinho infame. Mas apontar os dedinhos pra outros não nos redime de nossas ausências. É preciso responder por nossos atos, pois somos a soma de nossas escolhas. Frase brabinha de chata né? Tão óbvia que fica esquecida. Eis o perigo.

Daí que eu fico com a frase do D2:

"O cidadão por outro lado se diz, impotente, mas a impotência não é uma escolha também, de assumir a própria responsabilidade, Hein?"

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