3 de dezembro de 2009

"Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço, enquanto o caos segue em frente, com toda calma do mundo"

Ontem passei um tempo infinito parada, sentada, no silêncio da casa, pensando. Estava triste, quieta, reflexo latente dos últimos dias, da partida de Luciano, principalmente. Não consigo parar de pensar num emaranhado de coisas e, principalmente, na negligência com que o Estado vem tratando os crescentes casos de meningite em Salvador, na Bahia e no Brasil.
Compreendo que o custo da vacina é alto, muito mais do que imaginamos e que não é fácil para um gestor viabilizar essa verba para vacinar a todos. Mas é preciso mais que vontade para as coisas públicas. É preciso, além de competência, uma garra, uma coragem, que sinceramente, não estou vendo em Wagner e em tantos outros políticos do nosso país.
Quantos jovens, crianças, adultos, adolescentes, mães, pais, terão de morrer? Entendo a morosidade das questões públicas mas não entendo como um país tão grande e diverso como o Brasil não se mobiliza para viabilizar essas questões. Somos uma cambada de filhos da outra. Só pode ser isso.
A meningite é capaz de matar tão rápido quanto imaginamos. No caso de Luciano, os sintomas vieram de manhã e a morte veio à tarde. Entre um e outro, muita angústia, muita dor, daquela mãe que o levava nos braços. É nela que penso agora. É por ela que rezo, por essa mãe que perdeu seu filho de 23 anos, cheio de planos, cheio de vida. Tão feliz ele, tão feliz...
A promessa do governo de vacinar crianças até 5 anos em janeiro é um começo. Mas não pode ser um fim. Não podemos ficar satisfeitos com isso apenas. É preciso mais. É preciso vacinar a todos antes do carnaval. Ou vacinar a população carente, porque nem todos podem pagar 120 reais numa vacina, ganhando menos de 460 todo mês. Quem pode, vai e pague sua vacina. E rápido. Eu farei isso já nesse fim de semana, não quero morrer jovem, não quero ver meus sonhos sepultados antes da hora. Não vou aqui falar sobre Juan, pois até escrever dói e eu não quero pensar mais bobagens. Não hoje mais.
Vamos nos cuidar. Anarquicamente, cuidemos de nós, dos nossos, de quem estiver perto. Passamos um tempo de nossas vidas pensando latente em como mudar o mundo e parece que vamos esquecemos nossos planos mirabolantes ao longo do caminho. Porque é difícil mesmo deixar permanecer a idéia diante das adversidades da vida. Mas não é impossível. Vamos lutar e reivindicar o que nos cabe, lutar pelos nossos direitos, pela saúde pública que nos cabe. E vamos cumprir nossos deveres, porque “disciplina é liberdade”.

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