25 de março de 2010

Pequena pausa

Estamos vivenciando um momento muito particular na história da humanidade. Sobretudo em lugares como o Brasil, onde as catástrofes sociais são maiores e mais significativas que os desastres naturais.

Nos últimos dois meses ocorreram pelo menos três grandes terremotos no planeta terra: no Haiti, no Chile e na Turquia. Vulcões entrando em erupção, tsunames devastadores, tremores de terra, ciclones, enchentes, clima desordenado, fome, muitas mortes e destruição.

No âmbito sociocultural, o Brasil, por exemplo, presencia hoje um dos mais concorridos julgamentos de sua história, sobre o caso da menina Isabela, além dos escândalos constantes no Congresso Nacional e a eterna guerra do tráfico.

Os jornais, locais, regionais e nacionais, revezam criteriosamente as notícias. Através dos noticiários de todas as mídias, nos informamos passivos tanto sobre o ovo gigante que anuncia a páscoa, quanto sobre o vulcão que entrou em atividade neste março de 2010 na Islândia.

A sensação que tenho, nítida, é de que caminhamos lentamente para o fim de olhos vendados. E o pior: nós os vendamos sozinhos, por nossa própria conta e risco. É o nosso livre arbítrio sendo exercitado em escala macro, heim?

Obviamente não podemos parar nossas vidas, sentados no “trono de um apartamento com a boca cheia de dentes esperando a morte chegar”. Mas em que sentido nos mobilizamos? Até que ponto ainda podemos dividir a população entre a massa passiva e a elite pensante? Ou será que na escuridão do nosso fingimento diário estamos já irreversivelmente misturados?

A vida segue entre intervalos de pequenos infartos... Você vê?

Enquanto a matéria questiona o momento certo para deixar uma criança ter seu próprio celular, tento enumerar em vão a quantidade de pequenas catástrofes que nos aconteceriam caso houvesse uma pane geral de energia no mundo. Lembram do último apagão? Grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro ficaram sem energia elétrica durante mais de quatro horas. Pequenos infartos...

Como nós, Homo Sapiens Sapiens do século 21, sobreviveríamos tendo destruídas todas as tecnologias? Sem internet, televisão, rádio, luz elétrica? Bancos em pane, trabalhos parados... O início de uma nova era, de novas formas de socialização.

Quem pensa que as redes de internet que ligam o mundo estão devidamente protegidas está redondamente enganado. Tanto quanto aqueles que ainda acreditam que as placas tectônicos da terra têm ainda a mesma formação que há dez, 20 anos atrás.

Perfuramos a terra todos os dias e cada vez mais fundo, retirando dela toda riqueza mineral que consiga ser extraída, principalmente o que muitos apostam ser o seu sangue: o petróleo.

E qual organismo funciona sem corrente sanguínea?

Falamos em multimídias, clones, robótica... Falamos em pré-sal, nos dez mais milionários do mundo e pouco falamos sobre os rumos da humanidade; sobre o fim da configuração de mundo tal qual o conhecemos hoje.

O povo Maia, em suas sete profecias, alertou, há mais de 4 mil anos, sobre o aquecimento global, sobre as constantes enchentes, sobre as explosões cada vez mais poderosas do sol, sobre o alinhamento das galáxias...

Quando olhamos à noite pro céu, vemos estrelas que talvez nem existam mais. Olhamos pros lados e vemos um jogo de narcisos cada vez mais absortos em seus próprios lagos, pontuando o tempo e os sentidos como se lineares fossem.

Eu não sei... Continuo a questionar...

Só sinto que é válido, antes que possamos sentir a terra de fato tremer e rachar aos nossos pés, fechar os olhos por alguns segundos e pedir desculpas a mãe natureza, ainda que já seja tarde demais...

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