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3 de agosto de 2010

Vermelha


Quando chega vem com tudo: o sangue, a dor, a letargia.. E as certezas cíclicas de ser mulher, fêmea poderosa que menstrua, como o céu nos fins de tarde, como o amor, nas despedidas. 

Adoro ciclos. Adoro ser menina que menstrua...
... Só não gosto da cólica né, que de poético não tem nada! rsrs

2 de agosto de 2010

Reinventar-se

Não mudamos de casa! Mas a casa está em pleno momento de renovação. A desistência teve inúmeros motivos não aplicáveis ao agora. O que importa é a transformação que se deu a partir disso. 

Esta tudo uma bagunça, um caos absoluto. Todas as coisas fora de lugar esperando novos rumos, energia fluindo solta, uma delícia! 

Estabelecer o caos para restabelecer a ordem. Eis o lema destes dias, que não tem data decretada para terminar, pois está em pleno exercício de ser, sendo. 

O lance é que nós vamos nos mudar para a mesma casa. Daí que eu decidi também eu mesma pintar as paredes e tenho me surpreendido muito com o resultado. Nem eu sabia que o babado ia ficar tão bom! rs 
Daí que além das paredes comecei também uma nova tela, que esta ganhando formas e sentidos cada vez mais sinuosos... 

E o bacana disso tudo é que Juan já tem intrínseca a idéia da ordem e do caos, e aproveita para recriar também, cortar, colar, fazer foguete, voar pra lua. E a casa vai ganhando novas cores e está ainda mais linda. Viva o caos!

30 de julho de 2010

Daquela vez, como se fosse a última.

O chão sumiu sob os seus pés. E a sensação de incompetência era tão latente que doía na alma, escorendo pelos olhos. Era uma sensação de medo absoluto, de impotência, de falta de saida, de fim. 

Uma vontade de morrer naquele instante, como se nada valesse, como se a vida fosse um nada resoluto, uma mentira bem contada, entrecortada de momentos confusos e disformes, contraditórios e imbecis. 

Vontade de voar na solidão. Vontade de não ser, simplesmente, de nunca ter sido, de não ser mais. Chorava sem querer, sem um porquê definido. Eram tantos os tormentos agora, um emaranhado de nós irresolvíveis.

Andava sem olhar pra onde. O som dos carros apressados não soavam em seus ouvidos. Atravessou a rua, passos fortes. O olhar vacilou num grito, antes da queda. A morte surgiu vermelha, ao meio dia.

29 de julho de 2010

A Linha e o Linho

Ele diz que sou seu sol e sempre escolhe as melhores músicas para nós dois. E eu fico pensando se as coisas não se encaixam nessa vida mesmo de um jeito que a gente nunca vai conseguir entender...


É a sua vida que eu quero bordar na minha
Como se eu fosse o pano e você fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando ponto a ponto nosso dia-a-dia
E fosse aparecendo aos poucos nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, nosso amor
O zig-zag do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa, da paixão
A sua vida o meu caminho, nosso amor
Você a linha e eu o linho, nosso amor
Nossa colcha de cama, nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado
A casa, a estrada, a correnteza
O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza.

> Letra de A Linha e o Linho, de Gilberto Gil. Aquele preto que todo mundo gosta, não só o Caetano.

28 de julho de 2010

Outros ares

Eu tô em pleno processo de mudança e ontem, sem uma gota de álccol em casa, encaixotei os livros, as revistas e tirei os quadros do lugar. 

Gosto de mudanças. Elas são sempre bem vindas. Inda mais quando se vai mudar para uma casa onde a cozinha é do tamanho da sua sala atual. É nisso que fico pensando quando lembro de todos os processos burocráticos e financeiros que estou tendo de enfrentar... 

Juan também adora a casa nova e nossa alma grita a certeza de que seremos muito felizes lá também. A nossa casinha ficou extremamente úmida com as chuvas de mais de um mês que cai na cidade - quase na Bahia inteira, na verdade - e não tem mais como a gente ficar... 

O que mais gosto nas mudanças é a possibilidade de promover o caos para depois organizar a vida. Arrumando as coisas para levar de um lugar a outro a gente redescobre uma infinidade de detalhes perdidos na arrumação do dia-a-dia. Essas descobertas são, sem dúvida, a parte mais gostosa de tudo! 

Eu tô num misto de felicidade e angústia sabe? E os medos sempre tem o mesmo sobrenome: dinheiro. 
Aquele que a gente insiste em dizer que não compra felicidade e que no fundo a gente sabe que não compra mesmo, mas que nos deixa mais tranquilos para encontrar a paz. E não me venham com delongas. 

Hoje à noite tem mais coisas pra arrumar, encaixotar, encontrar, redescobrir.. 
Sozinha e com uma latinha de cerveja, que seja!