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3 de março de 2011

Comunicação é tudo mesmo, minha gente!

            A grande lacuna entre pais e filhos está na comunicação, no diálogo, tão necessário para manter saudáveis as relações, qualquer que sejam elas. A maior parte dos pais comete o grande equívoco de acreditar que o diálogo só precisa acontecer no ápice dos problemas, encontrando, na maior parte das vezes, apenas o silêncio de seus filhos. Falo isso de um patamar de experiência própria, tendo sido eu, hoje com 29 anos e mãe de um mocinho de nove, uma adolescente problemática e rebelde, que apesar da educação excelente recebida, viveu por muitos anos à sombra dessa lacuna.

            Hoje, no plano de educação estabelecido para o meu filho, o diálogo está na base do todo, no centro das atenções. Conversamos sobre tudo, desde as travessuras na escola, os imensos detalhes do cotidiano, até as questões mais complexas, como a relação humano-corpo, humano-humano. Além de aprender muito com ele, me sinto muito mais pronta para resolver os problemas quando eles aparecem, porque problemáticas não surgem do acaso: percorrem caminhos suntuosos, até desabar no mar da dúvida que atormenta e causa angústia.

            Não acredito na irreversibilidade das coisas, ou melhor, procuro não acreditar. Assim, me assumo uma otimista quase ingênua da humanidade. E grande parte desse acreditar, sem dúvidas, vem do fato de ser mãe. Porque sempre que penso em desistir – e não são poucas as vezes que esse pensamento chega sorrateiro – é ele quem vislumbro à frente. Portanto, resolvi escrever sobre isso, porque todos somos filhos e alguns de nós, pais. E não me venham com o velho papo de que “se conselho fosse bom seria vendido”, porque essa desculpa estritamente egoísta e capitalista nunca me foi muito digesta e se queremos de fato um mundo melhor para nós e para aqueles que nos precederá, precisamos sim, botar pra fora o que sabemos sobre o mundo, para somadas as experiências, buscarmos as melhores soluções, seja qual for o contexto.

            Sendo assim, convoco todos a pensar sobre isso. Um bom papo em casa diminui consideravelmente a necessidade de uma busca posterior aos profissionais especializados para isso. Longe de mim acabar com o ganha pão dos psicólogos, analistas e afins; quero antes alertar é para a não-necessidade para tantas buscas por terapias, muitas vezes solicitadas por aqueles que não têm a quem recorrer perto de si. São alguns e não todos os casos, obviamente. Mas são muitos. Atualmente, podemos perceber, se observarmos um pouquinho, que paralelo ao boom tecnológico que vivemos, onde estamos cada vez mais inseridos em novas redes de sociabilidade, isolamo-nos em mundos construídos para nossos egos e permanecemos à espreita do todo. Ora, será que toda essa solidão pulsante não tem um precedente? E será tão difícil assim compreender que esse precedente pode estar lá atrás, nos confins de nossa infância e/ou juventude?

            Crianças não nascem sabendo se comunicar. Isso soa óbvio, mas não o é, na prática. Nós, pais sobretudo, precisamos aprender a aprender. E isso não é lá muito fácil… Porque enquanto enfrentamos o mundo apenas como filhos, vivemos nossas problemáticas nesse grau hereditário, pois somos “as vítimas” enquanto os pais são “os culpados”. Invertendo o jogo, muitas máquinas quase pifam.  Mas a observação constante do comportamento e a leitura possível de fazer das atitudes e contrários, nos levam a um conhecimento sensacional sobre eles e sobre nós mesmos. Quando uma criança mente, por exemplo, uma coisa tão típica na primeira infância, o que podemos fazer além de repreender? Conversamos. Elas não entendem, muitas vezes, suas próprias atitudes e nós somos os mediadores dessa história, pois estamos num processo constante de plantação e colheita com relação a eles e ao mundo. Precisamos ir e voltar com informações que parecem pequenas num primeiro instante, mas que serão extremamente pertinentes quando eles passarem a ver o mundo sem ter a nós como filtros. E engana-se, como eu me enganei tantas vezes, que esse olhar solitário deles para o mundo chega numa idade mais avançada apenas; ela acontece desde sempre, e se potencializa muito cedo. E a gente que tenha jogo de cintura para manter o equilíbrio em todas as negociações!

            E esse é o gostoso da empreitada. Se vc, mamãe e papai, estabelecem como hábito o diálogo, ele será sempre o movimento precursor de todas as situações futuras, mesmo na inevitável ‘aborrecência’, que graças a Tupã, passamos todos nós, pois ela é essencial para os binóculos que seremos no futuro. Sejamos mais atentos aos nossos rebentos, nós, seres inverídicos do século XXI. Vamos acabar de uma vez com esse escasso paradigma que insiste em repercutir, onde as crianças não têm vontades. Elas têm e muitas! E nós, temos uma compreensão melhor sobre os limites cabíveis, as vias de organização dessas vontades; Temos a experiência para indicar os caminhos, a paciência para escutar as repetidas versões, o carinho para viabilizarmos os sonhos, segurando os pezinhos lá no chão. Sem maiores divagações espiritualistas, é bom acreditar que fomos escolhidos por elas, afinal, para guiar melhor os seus caminhos. Portanto, vamos fazer isso com a verdade da palavra expressa, olho no olho, ouvidos atentos e força para o imprevisível que sempre vem.

 

28 de fevereiro de 2011

Minha casa, metáfora de mim

“A casa da gente é uma metáfora da nossa vida, 
é a representação exata e fiel do nosso mundo interior”.  

Viajei ao ler essa frase no Non-Stop da Martha Medeiros, pra mim uma das melhores cronistas da atualidade.. 

Daí parei e mentalmente percorri a minha casa e me vi sorrindo ao constatar que, de fato, muito me assemelho a ela. Com meus tiques estéticos, percebo que cada coisa tem seu canto e que os mimos recebidos pelos amigos ao longo da vida, são os objetos de decoração mais recorrentes, junto aos livros que se espalham pela casa e os quadros e as frases que percorrem as paredes.

Fotografias dos queridos, muitas caixinhas, velas, revistas, brinquedos; a mesa de Juan para os trabalhos com a massinha de modelar. Toda a casa fala muito de mim e dele também, já que sua decoração prevalece tanto quanto a minha, num jogo híbrido de identidades expostas, prontas para serem apreendidas pelos olhares mais atentos que eventualmente nos visitam.

Ah, que delícia perceber isso! Então me lembro de todos que já passaram por lá, sobretudo aqueles conhecidos desde a infância, que mal botam os pés pra dentro e já na primeira vista exaltam um “nossa, é a sua cara!”. E parece mesmo. 
 
Tem aqueles cantinhos bagunçados, desorganizados à minha maneira; tem as garrafas de vinho vazias, que não consigo jogar fora; tem os quadros inacabados, reivindicando suas tintas; tem vasos retangulares de plantas, que servem para guardar as revistas; tem a árvore pintada na parede da sala, com seus galhos surreais florescendo cores; tem a lâmpada queimada do quartinho do fundo, esperando ser trocada e mais um milhão de pequenos detalhes, que num exercício contínuo de denotação, são a minha mais perfeita tradução.

Nossa casa, caverna acesa, é muito mais que um lugar onde a gente come, dorme ou vê televisão. Nela plantamos muito de nossa personalidade, mesmo sem se aperceber, mesmo sem querer ou de mansinho... Pode até parecer rima boba só pra terminar o texto bonitinho, mas nossa casa está muito além de ser apenas nosso ninho.

24 de janeiro de 2011

Vamos comer Caetano?
Vamos decifra-lo...

20 de janeiro de 2011

Eu tô super inquieta com esse blog. Pra variar né... Porque se for fazer um apanhado de quantos posts eu deixei clara essa angústia desde que o poéticas é o poéticas, voilá, perdemos as contas... Eu dei umas mexidas, criei umas páginas, ainda inúteis, mas vou, dou voltas e chego no mesmo ponto: esse blog especificamente não tem um porquê especifico a não ser jogar no ar pensamentos soltos, do dia a dia, da vida, dos meus eticéteras. Nada de especial. Apenas eu, pensando alto. Não chega a ser uma poética, é muito mais cotidiana...

Mas eu chego lá com ele. Porque quando penso em me desfazer do blog me dá uma dó e eu já sei que não vou fazer o que não quero. Leio por dia uma cacetada de blogs e me deparo com uns que tem proposta semelhante à esse e eu fico com aquela invejinha sabe? porra, Isa, taí como é simples e vc complicando...

Aprender a dizer sutilmente o que é impublicável; trazer pra cá as reflexões da madrugada que são jogadas num cosntante no papel; fazer daqui um cantinho interessante, porque reunir amigos é um troço gostoso que eu adoro; e me jogar mesmo, sem medo de ser 'filiz'. é isso...

19 de janeiro de 2011

Isso nem é post, né?

Não sei se exausta seria a palavra certa pra denominar como ando me sentindo, mas meu corpo não sabe definir-se de uma forma mais cabível nesse instante. Me vejo cada vez mais acuada a redefinir meu modo de vida e por mais que haja um descompasso entre o querer e o poder, sei que posso melhorar tudo isso, mesmo que aos poucos, mesmo que naquela das doses homeopáticas, coisa e tal. Trabalhar 12, 14 horas por dia está acabando comigo. de verdade. E eu tenho até vergonha de me lamentar, porque ieu escolhi ser jornalista nessa porra, então agora é conciliar as consequencias mesmo. Ou na verdade isso nem seja uma lamentação. É só um desabafo mesmo... E sabe? O que me incomoda não é efetivamente trabalhar tantas horas por dia. Juan se estivesse lendo isso agora me chamaria atenção pra isso, certamente. O que me incomoda muito, sobretudo nos últimos anos, é dedicar tantas horas a uma coisa só. E o pior: ver outros projetos correndo na marginal, como moleque que espera a hora certa pra saltar dentro do trem. 

Assim o é. E não me agrada. 

E eu ainda tenho uma mania burra de me meter a fazer milhões de coisas ao mesmo tempo, achando que o mundo pode acabar amanhã - e ele pode mesmo né - e eu morro de medo de ir embora e não fazer o que quero, o que planejo... e me orgulho de, ao menos, não reter ideias, já que sei que não posso dar conta de todas. Daí uma brincadeira que adoro é solta-las no ar, esperando ansiosa que alguém as apanhe - e adote. 

Foi assim na faculdade, na época do tcc. E até hoje lembro dos meus professores queridos sugerindo abrir uma barraquinha de ideias... rs 

Noas lembranças que acalmam um tantinho... Mas volto à realidade lembrando que preciso mesmo é de mais disciplina, enquanto simultaneamente me cobro menos, fazendo mais. 

Eu sabia o que me esperava quando optei por essa vida. Mas continuo sonhando alto, com jornadas reduzidas de trabalho para os outros e tempo livre de forma expandida para mim. Pra curtir minha casa, ouvir mais musica, ver mais filmes, estar mais com meus amigos, cozinhar e sobretudo, sair pelo mundo com Juan de guia. Eu só peço a deus um pouco de malandragem... sacomé?