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13 de outubro de 2010

Estava à toa na vida...

Pequena reflexão escrita durante a viagem desta manhã, enquanto os olhos se preenchiam com a vida verde e flutuante que passava na janela:

1. Já que o amor insiste em nascer, além da paixão, faço dele então objeto de estudo. Observo, analiso e me espanto. E para mim, em concordância com o Gullar, a poesia nasce sempre do espanto.

2. Se te chamo, portanto, pra ver a Banda passar e você não vem, não posso furtar-me de vê-la sozinha... Certamente correrei pra te contar depois o que dela apreendi. Mas se, no entanto, também da passagem não quiseres saber, resta-me apenas buscar outros ouvintes...

Entretanto, a vontade maior e latente - é bom e necessário que o saiba – é de ver a Banda passar contigo, ambos admirados, degustando as cores e os sons junto à meninada que também se anima para ouvir as coisas de amor que a banda canta (particularmente) para cada um de nós.

E 3. nós sempre estamos onde devemos estar. Porque para cada instante vivido, há uma construção de sentidos, estradas que perpassam contextos. Então, colecionemos instantes!

Enfim: Tudo isso num pedaço de papel, em letras turvas, que se jogavam da caneta num devaneio descarado, enquanto eu via da janela “a vida correndo parada”, como canta o Djavan...

10 de outubro de 2010

...

Acordou sentindo um abraço... despertou e pensou em como gostaria de estar errada, de ouvir uma palavra de amor, um beijo, que resignificasse tudo... mas o dia passou e só havia silêncio... desejou então que estivesse melhor, apenas e seguiu caminhando através do silêncio... Um amor assim, delicado...

8 de outubro de 2010

Revelar-se

Eu sou uma dama de copas. Uma mulher que bebe vinhos à meia-noite e à meia-lua, flutua dentro de si mesma. Eu sou a própria lua flutuante tantas vezes... e noutras, sou um poço fundo à procura de baldes- e procuras - que o signifique.

Meu corpo está vivo e essa nem é uma certeza, veja bem... Tudo está povoado de dúvidas e isso é lindo. Crescer e multiplicar idéias, querer sempre mais, sempre menos. Buscar sempre medidas, antes ou depois dos atos. depende dos signos, dos contextos, das considerações...

Buscar sentidos.

Eu sou aquela que dança, aquela que apreendeu o discurso de Smetack e também não vê no fim da fala o início do silêncio. Uma boêmia de alma, de coração.

E para todo silêncio, um grito antes. Um grito dos galos que tecem amanhã de João Cabral de Mello Neto. Um grito unissono, que sai de segundo em segundo, de dentro de mim.

6 de outubro de 2010

Se joga na breguice, berenice!

Como uma deusaaaaaaaaaa, vc me mantêmmmm.. e as coisas que vc me diz, me levam aléééééééémmmmmm

5 de outubro de 2010

Marina,... você se pintou?

Marina, morena Marina, você se pintou diz a canção de Caymmi. Mas é provável, Marina, que pintaram você. Era a candidata ideal: mulher, militante, ecológica e socialmente comprometida com o grito da Terra e o grito dos pobres, como diz Leonardo.
Dizem que escolheu o partido errado. Pode ser. Mas, por outro lado, o que é certo neste confuso tempo de partidos gelatinosos, de alianças surreais e de pragmatismo hiperbólico? Quem pode atirar a primeira pedra no que diz respeito a escolhas partidárias?
Mas ainda assim, Marina, sua candidatura estava fadada a não decolar. Não pela causa que defende, não pela grandeza de sua figura. Mas pelo fato de que as verdadeiras causas que afetam a população do Brasil não interessam aos financiadores de campanha, às elites e aos seus meios de comunicação. A batalha não era para ser sua. Era de Dilma contra Serra. Do governo Lula contra o governo do PSDB/DEM. Assim decidiram as famiglias que controlam a informação no país. E elas não só decidiram quem iria duelar, mas também quiseram definir o vencedor. O Estadão dixit: Serra deve ser eleito.
Mas a estratégia de reconduzir ao poder a velha aliança PSDB/DEM estava fazendo água. O povo insistia em confirmar não a sua preferência por Dilma, mas seu apreço pelo Lula. O que, é claro, se revertia em intenção de voto em sua candidata. Mas os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz. Sacaram da manga um ás escondido. Usar a Marina como trampolim para levar o tucano para o segundo turno e ganhar tempo para a guerra suja.
Marina, você, cujo coração é vermelho e verde, foi pintada de azul. Azul tucano. Deram-lhe o espaço que sua causa nunca teve, que sua luta junto aos seringueiros e contra as elites rurais jamais alcançaria nos grandes meios de comunicação. A Globo nunca esteve ao seu lado. A Veja, a FSP, o Estadão jamais se preocuparam com a ecologia profunda. Eles sempre foram, e ainda são, seus e nossos inimigos viscerais.
Mas a estratégia deu certo. Serra foi para o segundo turno, e a mídia não cansa de propagar a vitória da Marina. Não aceite esse presente de grego. Hão de descartá-la assim que você falar qual é exatamente a sua luta e contra quem ela se dirige.
Marina, você faça tudo, mas faça o favor: não deixe que a pintem de azul tucano. Sua história não permite isso. E não deixe que seus eleitores se iludam acreditando que você está mais perto de Serra do que de Dilma. Que não pensem que sua luta pode torná-la neutra ou que pensem que para você tanto faz. Que os percalços e dificuldades que você teve no Governo Lula não a façam esquecer os 8 anos de FHC e os 500 anos de domínio absoluto da Casagrande no país cuja maioria vive na senzala. Não deixe que pintem esse rosto que o povo gosta, que gosta e é só dele.
Dilma, admitamos, não é a candidata de nossos sonhos. Mas Serra o é de nossos mais terríveis pesadelos. Ajude-nos a enfrentá-lo. Você não precisa dos paparicos da elite brasileira e de seus meios de comunicação. Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu.



Maurício Abdalla
Professor de filosofia da UFES