Arnaldo Antunes. E quem mais?
Eu sempre quis ter barbas, mas outras coisas estão caindo em seu lugar; a diferença já é pouca nessa hora. Hoje eu vi, entre uma cochilada e outra em minha viagem, o azul estupidamente gelado do mar. Como eu queria me jogar ali, como eu queria me jogar inteira nua, todo ele em mim e eu a penetrá-lo num orgasmo só. Que azul, que tons de azul intenso... E a maré cheia...
Campeonato de surf em Patamares, as três pontes de Jaguaribe - que me fazem lembrar da infância, quando ia de mãos dadas a minha mãe passar o dia quebrando ondas no pedaço de mar em frente à barraca Mordomia. Uma delícia. Ainda está lá a barraca.
Tem os coqueiros de Jardim de Alah emoldurados pelo céu. Ali eu gosto azul ou cinza, é sempre lindo. E tem o Rio Vermelho, a Praia da paciência com sua curva, sua faixa de areia em declínio e as ondas semi-brutas. Ainda ali tem a ponta da Pedra da Sereia, as pedras e o mar contrastando suas cores... Aí tem o morro do cristo, aquele mar bravio e incerto... E tem a Barra, tem o Farol. Não ele exato, mas seu mar dos lados. Aquela faixinha de praia deserta antes do porto... E o Porto. Que é cenário composto de pessoas mesmo e deixa uma saudade quando o ônibus vira pra subir a ladeira. Mas aí vem o mar da Contorno apaziguar tudo, deixar vontade de descer, de ali ficar.
Depois é só susto. Avenida Sete, amontoado de gente pra lá e pra cá na Piedade e na Sé... E daí que fica em mim essa vontade de mar durante o dia, me alimentando daquele azul da manhã. Mas daqui de cima, do alto da janela que espreita o mar da baía, posso sentir o sol se pôr tão lindo quanto: quando o dia se despede, o sol projeta os seus vermelhos até que se finde a sua luz, deixando aberta a possibilidade de que o preto do céu nos envelheça.
Salve Salvador.
18 de setembro de 2009
16 de setembro de 2009
“Dona do sim e do não diante da visão da infinita beleza”
Sabe aquela história de assobiar e chupar cana? Sou eu. Sem premeditar faço inúmeras coisas as mesmo tempo e sim, isso tem mais de três lados: as vezes faço tudo com êxito, mas na maioria das vezes, me atrapalho, deixo alguma coisa sem terminar.. é um inferno. E não agüento passar um minuto parada. E isso, meus caros, não é muito satisfatório. Combinar pequenas coisas já é natural. Escrever e ouvir música por exemplo. Dá. Mas se a música for instrumental ou numa língua desconhecida, melhor. Se não, entra a terceira tarefa: cantar. Aí embanana tudo. E ainda tem um outro traço falciforme meu: eu não consigo acompanhar meus pensamentos. Geralmente escrevo tudo o que penso em termos de idéias novas. Anoto num papelzinho, faço lembretes... porque se não o bagulho se perde e aí, é capaz deu lembrar no alto de uma roda gigante, num domingo no parque, por exemplo. Agora mesmo estou ca a redigir textos trabalhísticos e ouvindo velhas e boas de Caetano como Cajá. Beleza. Daí paro o que estou fazendo porque pensei num final bacana praquele conto. Aí no meio do conto lembro que tenho que acrescentar tal item nas tarefas do dia e antes de finalizar o item corro pra dar uma olhadinha na agenda da semana. O que tem marcado mesmo pra meio dia de amanhã?
Arf.
Cansa. É uma estabanação só. Mesmo que no final eu tenha realizado tudo aquilo a que me propus, é um gasto de energia filadaputa. E o pior é que no fundo do fundilho, eu gosto de ser assim! Valha-me deus, nossa senhora...
...
Ontem na viagem de volta pra casa – minhas duas horas de buzú pela orla de Salvador -, deu um estalo de pensar em meu nome, que eu adoro de paixão... Esse Isa tão diferente do Lorena, esse complemento, esse som fluido que dele emana. E dentre os devaneios, concluí que Lorena é o meu lado frágil, em oposição ao Isa; Mas compreendam que não se trata de questões etmológicas, mesmo sendo Isa = fogo e Lorena = calma; é uma questão contextual mesmo, aliterações infantis e outras incongruências. Mas independente do peso das partes, esse todo – Isa Lorena – é algo forte, uníssono. E eu gosto muito, muito de ser esse signo.
...
Quase primavera nesse setembro de sol com chuva. Juan caminhando para completar seus oito anos e nove meses de vida, com suas múltiplas inteligências bem desenvolvidas, com a saúde própria daqueles que se fartaram de leite de peito, apenas atormentado pela renite cada ano mais fraquinha... boa dicção, boa postura e bons modos, mantendo acesa, no entanto, as faíscas próprias da infância. Uma delícia. Meu filho. Minha cria. Meu pedaço. Meu dele. Meu do mundo. Compreensão difícil sim. Alguma dor, algumas lágrimas. Maternidade aflorada. Aceitação.
2010 já chegou na minha agenda. Nos planos ele já havia. E quando faltam três meses pra fechar o ciclo ocidental doismilenovístico, tudo parece correr. Mas é preciso caminhar sem pressa, às vezes. E quando nossas pernas são ligeiras de fábrica, vale uns ajustes, umas parafusadas até... Mas sem paralisias. Jamé.
Arf.
Cansa. É uma estabanação só. Mesmo que no final eu tenha realizado tudo aquilo a que me propus, é um gasto de energia filadaputa. E o pior é que no fundo do fundilho, eu gosto de ser assim! Valha-me deus, nossa senhora...
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Ontem na viagem de volta pra casa – minhas duas horas de buzú pela orla de Salvador -, deu um estalo de pensar em meu nome, que eu adoro de paixão... Esse Isa tão diferente do Lorena, esse complemento, esse som fluido que dele emana. E dentre os devaneios, concluí que Lorena é o meu lado frágil, em oposição ao Isa; Mas compreendam que não se trata de questões etmológicas, mesmo sendo Isa = fogo e Lorena = calma; é uma questão contextual mesmo, aliterações infantis e outras incongruências. Mas independente do peso das partes, esse todo – Isa Lorena – é algo forte, uníssono. E eu gosto muito, muito de ser esse signo.
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Quase primavera nesse setembro de sol com chuva. Juan caminhando para completar seus oito anos e nove meses de vida, com suas múltiplas inteligências bem desenvolvidas, com a saúde própria daqueles que se fartaram de leite de peito, apenas atormentado pela renite cada ano mais fraquinha... boa dicção, boa postura e bons modos, mantendo acesa, no entanto, as faíscas próprias da infância. Uma delícia. Meu filho. Minha cria. Meu pedaço. Meu dele. Meu do mundo. Compreensão difícil sim. Alguma dor, algumas lágrimas. Maternidade aflorada. Aceitação.
2010 já chegou na minha agenda. Nos planos ele já havia. E quando faltam três meses pra fechar o ciclo ocidental doismilenovístico, tudo parece correr. Mas é preciso caminhar sem pressa, às vezes. E quando nossas pernas são ligeiras de fábrica, vale uns ajustes, umas parafusadas até... Mas sem paralisias. Jamé.
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Isa Lorena
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15 de setembro de 2009
“Deixa eu decidir se é cedo ou tarde... Espera eu considerar”
Eu tentei. Tentei ser menos densa, escrever mais objetivamente e não falar de mim, principalmente. Mas eis que surge o impulso e de lá pra cá – um lá não absoluto, por favor não insista pra que eu cuspa datas -, simplesmente compreendi que não há como exaurir de mim a minha essência maior, de ser dramático. Pois é.
Por essas, por outras e por nenhuma coisa é que declaro o retorno do poéticas em sua essência. Sou eu de volta, Isa Lorena, vomitando prosa poética pra todos os lados, como quem com febre espreita a morte, como quem deseja alinhar-se ao mundo antes do último suspiro. É o que fica de mim. É o que sou, na construção de ser.
Estamos cá em setembro, quase outro ano já. Resolvi mudar o poéticas de endereço como quem corta o cabelo na esperança de com ele renascer. Queria um blog de curtas, quase mudo o nome dele, inclusive. Mas depois desses dias que passaram, eu olhava para cá e só gostava da estética estrutural, com esse vermelho brutal a introduzir o assunto. E então eu percebi que não adianta inverter o curso do rio com uma tora de madeira, porque inevitavelmente suas águas ultrapassarão o obstáculo, escondendo-o em seu leito como se vareta fosse.
Deixa eu me dizer. E como canta a Mariana Aydar tão gostosamente, “Deixa o verão pra mais tarde”. Já sou concisa demais no dia-a-dia trabalhístico, já tenho cá um blog só de contos picantes, outro só de indicações de outros blogs, uma tentativa de pequenos ensaios sobre cultura e um de ficção. Então eu conversei comigo e decidimos juntas, a Isa e a Lorena, que faríamos deste um blog descompromissado, um acolhedor de textos em seus estados primitivos, o cuspe, o catarro da palavra rasgada sem medo, o lugar do espasmo, da falta de regra, do desfecho inesperado, das frases inacabadas; essa poética cotidiana, enfim, que nos toma de gole mesmo.
Por essas, por outras e por nenhuma coisa é que declaro o retorno do poéticas em sua essência. Sou eu de volta, Isa Lorena, vomitando prosa poética pra todos os lados, como quem com febre espreita a morte, como quem deseja alinhar-se ao mundo antes do último suspiro. É o que fica de mim. É o que sou, na construção de ser.
Estamos cá em setembro, quase outro ano já. Resolvi mudar o poéticas de endereço como quem corta o cabelo na esperança de com ele renascer. Queria um blog de curtas, quase mudo o nome dele, inclusive. Mas depois desses dias que passaram, eu olhava para cá e só gostava da estética estrutural, com esse vermelho brutal a introduzir o assunto. E então eu percebi que não adianta inverter o curso do rio com uma tora de madeira, porque inevitavelmente suas águas ultrapassarão o obstáculo, escondendo-o em seu leito como se vareta fosse.
Deixa eu me dizer. E como canta a Mariana Aydar tão gostosamente, “Deixa o verão pra mais tarde”. Já sou concisa demais no dia-a-dia trabalhístico, já tenho cá um blog só de contos picantes, outro só de indicações de outros blogs, uma tentativa de pequenos ensaios sobre cultura e um de ficção. Então eu conversei comigo e decidimos juntas, a Isa e a Lorena, que faríamos deste um blog descompromissado, um acolhedor de textos em seus estados primitivos, o cuspe, o catarro da palavra rasgada sem medo, o lugar do espasmo, da falta de regra, do desfecho inesperado, das frases inacabadas; essa poética cotidiana, enfim, que nos toma de gole mesmo.
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6 de setembro de 2009
Pausa
De repente tudo fica escuro e... chegam as lágrimas.
De repente nada mais faz sentido.
De repente nada mais faz sentido.
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Isa Lorena
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2 de setembro de 2009
Chame sua vó pra ler, rápido!
Gente! O Banco Real abriu mais uma edição do concurso Talentos da Maturidade, para maiores de 60. Música, literatura, artes plásticas e programas exemplares são as categorias. Para não-profissionais, é bom resaltar. Chama o vô e a vó ou se inscreva, até dia 14 de setembro. Vale a pena. Meu vô participa já há três anos e apesar de nunca ter gabho, vale a felicidade de ver suas músicas gravadas. A alegria dele nos mostrando o cd já é um prêmio...
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Isa Lorena
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